

Toda cidade que cresce rapidamente enfrenta o mesmo dilema: como transportar milhares de pessoas todos os dias sem congestionamentos permanentes e sem investir milhões de reais na construção de um metrô. Na década de 1970, Curitiba vivia exatamente esse desafio. A cidade se expandia em ritmo acelerado, impulsionada pela metropolização, enquanto o transporte coletivo precisava atender deslocamentos cada vez mais longos e numerosos.
Em vez de seguir o modelo tradicional das grandes metrópoles, a administração municipal, liderada pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner, optou por desenvolver uma solução adaptada à realidade local. Nascia a Rede Integrada de Transporte (RIT), concebida para oferecer desempenho semelhante ao de um metrô utilizando ônibus circulando em corredores exclusivos. A inovação não estava em um único elemento, mas na integração entre infraestrutura, operação e planejamento urbano.
O sistema reuniu três componentes principais. O primeiro foi a implantação das canaletas exclusivas, inseridas no sistema viário trinário, garantindo velocidade e regularidade aos ônibus. O segundo foi a criação das estações-tubo, que permitiram o pagamento antecipado da tarifa e o embarque em nível, reduzindo significativamente o tempo de parada dos veículos. O terceiro foi a implantação do modelo tronco-alimentador, organizado por meio de terminais de integração que possibilitaram ao passageiro utilizar diferentes linhas pagando uma única tarifa. O primeiro corredor exclusivo entrou em operação em 22 de setembro de 1974, com cerca de 20 quilômetros de extensão.
O principal aprendizado dessa experiência vai além do transporte coletivo. Curitiba demonstrou que inovação urbana não depende necessariamente da tecnologia mais sofisticada ou da obra mais cara. Muitas vezes, ela nasce da capacidade de integrar soluções já existentes em um sistema coerente. Antes de perguntar quanto custa construir um metrô, talvez seja mais importante perguntar qual combinação de infraestrutura, operação e planejamento pode entregar resultados semelhantes com os recursos disponíveis.
Fontes: Prefeitura de Curitiba; Urbanização de Curitiba S.A. (URBS); Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). / Pesquisa e Curadoria: EduCriativa.
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