

Muitas cidades possuem antigas fábricas, galpões e armazéns que perderam sua função original. A solução mais comum costuma ser a demolição para dar lugar a novos empreendimentos. Mas existe outra possibilidade: transformar esses espaços em equipamentos públicos capazes de impulsionar a vida cultural e comunitária.
Foi essa escolha que orientou a criação do Sesc Pompeia, em São Paulo. Em 1976, o Serviço Social do Comércio (Sesc) convidou a arquiteta Lina Bo Bardi para transformar uma antiga fábrica de tambores, construída em 1938, em um centro de cultura, esporte e lazer. Em vez de demolir o complexo industrial, Lina propôs preservar sua estrutura principal e adaptá-la aos novos usos. A decisão partiu da observação de que os moradores do bairro já utilizavam espontaneamente aquele espaço para atividades de convivência, mesmo antes do início do projeto. A arquitetura passou, então, a fortalecer uma vocação que já existia, em vez de substituí-la.
Concluído ao longo da década de 1980, o conjunto reúne teatros, biblioteca, espaços expositivos, oficinas, restaurante, áreas esportivas e ambientes de convivência. O projeto tornou-se uma referência internacional de requalificação urbana e reutilização adaptativa (adaptive reuse), demonstrando que preservar também pode ser uma estratégia de inovação.
A principal inovação, porém, consistiu em reconhecer que um edifício carrega também memórias, relações sociais e modos de ocupação. O antigo espaço industrial deixou de representar um passivo urbano e passou a funcionar como uma infraestrutura permanente de cultura, esporte e convivência.
Esse é o princípio que pode inspirar outros territórios: antes de perguntar o que construir em uma área degradada, talvez seja mais importante perguntar o que já existe ali e como esse patrimônio pode ganhar novos significados.
Fontes: Sesc São Paulo / Instituto Bardi – A cadeira do Sesc Pompeia de Lina Bo Bardi / Pesquisa e Curadoria: EduCriativa.
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