

Muitas cidades possuem grandes áreas ocupadas por infraestrutura urbana, como linhas de transmissão, ferrovias, canais ou faixas de servidão, que acabam funcionando como barreiras entre bairros. Em geral, esses espaços permanecem subutilizados, degradados ou inacessíveis à população. O desafio é descobrir como transformá-los em ativos para a cidade, sem comprometer sua função original.
Uma resposta pode ser observada no Parque Madureira, no Rio de Janeiro. Inaugurado em 2012, o parque foi implantado ao longo de uma faixa de servidão de linhas de transmissão de energia da Light, um terreno que, durante décadas, fragmentava bairros da Zona Norte. Em vez de tratar essa infraestrutura como um obstáculo permanente, o projeto converteu o espaço em um parque linear voltado ao lazer, ao esporte, à cultura e à convivência, mantendo a compatibilidade com a operação da rede elétrica.
Ao longo de sua implantação e expansão, o parque passou a reunir ciclovias, quadras esportivas, pistas de skate, playgrounds, academias ao ar livre, espaços para apresentações culturais, a Praça do Samba, a Nave do Conhecimento e áreas destinadas ao conforto térmico e à sustentabilidade.
A principal inovação, porém, não foi a criação de um parque. Foi a mudança de perspectiva sobre um espaço urbano considerado “perdido”. Em vez de remover a infraestrutura existente, o projeto demonstrou que ela poderia coexistir com novos usos públicos, multiplicando o valor social de uma área que antes separava a cidade.
Esse é o princípio que pode inspirar outros territórios: nem todo vazio urbano precisa ser ocupado por novas construções. Muitas vezes, a melhor solução está em reinterpretar infraestruturas já existentes e fazê-las cumprir mais de uma função. Quando um mesmo espaço passa a conectar pessoas, oferecer lazer, promover cultura e melhorar a qualidade ambiental, a cidade amplia suas capacidades sem precisar expandir seus limites.
Fontes: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro / Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) / Pesquisa e Curadoria: EduCriativa.
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