

Recife enfrentava dois problemas combinados em bairros vulneráveis: violência e serviços públicos fragmentados. Em vez de responder apenas com policiamento ou distribuir postos isolados, a prefeitura criou os Centros Comunitários da Paz (Compaz). A primeira unidade foi inaugurada no Alto Santa Terezinha, em 2016; em junho de 2024, a rede chegou a seis equipamentos.
Embora Recife integre a Rede UNESCO pela Música, o Compaz é uma solução transversal de arquitetura pública. Cada unidade reúne, com configurações próprias, biblioteca, esporte, cultura, formação tecnológica, assistência social, mediação de conflitos e atendimento de direitos. O edifício funciona como porta de entrada do poder público e espaço de permanência comunitária.
Uma avaliação da Prefeitura, com assessoria técnica do FGV EESP Clear, aplicou 3.551 questionários. Entre os usuários ouvidos, 91,57% declararam satisfação com as atividades, 88,56% perceberam mudanças positivas na própria vida e 75,67% consideraram que o Compaz contribuiu para a sensação de segurança no território. São percepções, não prova de redução da criminalidade. O estudo também identificou falta de vagas e a necessidade de ampliar equipes, acessibilidade e atuação para além dos edifícios.
A inovação foi combinar arquitetura, serviços e convivência em uma única infraestrutura territorial. O princípio transferível é direto: em áreas desatendidas, aproximar direitos exige concentrar funções, manter programação cotidiana e transformar o equipamento público em lugar de confiança.
Recife (Pernambuco, Brasil) | Cidade Criativa da UNESCO em Música | Membro desde 2021
Fontes: Prefeitura do Recife — “O que é o Compaz?”: descrição oficial da rede, das unidades e dos serviços. Organização das Nações Unidas — Community Peace Center: estudo de caso do Prêmio das Nações Unidas para o Serviço Público de 2022. / Pesquisa, análise e redação sob orientação editorial da EduCriativa.
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