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Reprogramar o centro cívico

Quando o Governo de Minas transferiu suas secretarias da Praça da Liberdade para a Cidade Administrativa, Belo Horizonte ficou diante de edifícios históricos esvaziados. Criado em 2010, o Circuito Liberdade evitou destinações isoladas: transformou o antigo centro administrativo em uma rede de museus, bibliotecas, centros de ciência, formação e artes. A solução antecede a designação da cidade pela UNESCO, em 2019.

O modelo combina reutilização arquitetônica e governança compartilhada. Antigas sedes das secretarias da Fazenda, Educação e Segurança passaram a abrigar o Memorial Minas Gerais Vale, o MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal e o Centro Cultural Banco do Brasil. Instituições estaduais convivem com universidades, empresas e organizações culturais, enquanto a praça funciona como eixo público entre os equipamentos.

O circuito, inicialmente concentrado no entorno imediato, ampliou-se para mais de 30 instituições. Segundo o Governo de Minas, seus espaços registraram 7,5 milhões de visitas em 2024. O número soma entradas, não visitantes únicos, e não demonstra sozinho democratização do acesso. Pesquisa publicada em 2022 identificou diferenças de recursos e barreiras de acessibilidade para pessoas cegas ou surdas entre os equipamentos.

A inovação foi tratar prédios desocupados não como imóveis independentes, mas como partes de uma infraestrutura cultural conectada. O princípio transferível é claro: a reutilização ganha força territorial quando edifícios preservados compartilham programação, comunicação, governança e um espaço público capaz de reuni-los.

Belo Horizonte (Minas Gerais, Brasil) | Cidade Criativa da UNESCO em Gastronomia | Membro desde 2019

Fontes: Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais — “Circuito Liberdade ganhará novo equipamento cultural”: histórico, modelo de ocupação e governança do circuito. Governo de Minas Gerais — balanço de visitação do Circuito Liberdade: registro de 7,5 milhões de visitas em 2024 e 3,9 milhões até junho de 2025. / Pesquisa, análise e redação sob orientação editorial da EduCriativa.

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