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Quando fechar ruas para os carros abre espaço para a cidade

A maioria das cidades tenta estimular a caminhada e o uso da bicicleta construindo novas ciclovias. Mas existe outra estratégia: transformar temporariamente ruas destinadas aos automóveis em espaços de convivência para as pessoas.

Foi esse princípio que deu origem à Ciclovía de Bogotá, na Colômbia. Criada em 1974 e ampliada nas décadas seguintes, a iniciativa fecha, aos domingos e feriados, centenas de quilômetros de vias para o tráfego de veículos motorizados. Durante algumas horas, essas ruas passam a receber ciclistas, corredores, skatistas, famílias e atividades esportivas e culturais, sem necessidade de construir uma nova infraestrutura permanente.

Hoje, a Ciclovía reúne aproximadamente 127 quilômetros de vias abertas exclusivamente às pessoas e mobiliza, em média, mais de 1,5 milhão de participantes a cada edição. Além de incentivar a atividade física, a iniciativa fortalece a ocupação dos espaços públicos, estimula o comércio local e aproxima moradores de diferentes regiões da cidade.

A principal inovação, porém, não está no fechamento das ruas. Ela está em mostrar que a infraestrutura urbana pode cumprir funções diferentes conforme o dia ou o horário. Uma avenida projetada para automóveis pode, temporariamente, transformar-se em parque, pista esportiva e espaço de encontro comunitário.

Esse é o princípio que pode inspirar outros territórios: antes de construir novos equipamentos públicos, vale perguntar se parte da infraestrutura existente pode ser utilizada de outra maneira. Em muitos casos, inovar significa mudar o uso do espaço, e não necessariamente construir mais.

Fontes: Instituto Distrital de Recreación y Deporte (IDRD) / Prefeitura de Bogotá / Organização Mundial da Saúde (OMS) / Pesquisa e Curadoria: EduCriativa.


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