

Durante décadas, muitas cidades ampliaram ruas para facilitar o trânsito de automóveis. O resultado foi o aumento da velocidade dos veículos, da poluição e dos acidentes, enquanto caminhar se tornava cada vez menos agradável.
Em Pontevedra (Galícia, Espanha), a estratégia foi inverter essa lógica. A partir de 1999, a cidade iniciou um processo gradual de redução da circulação de carros no centro urbano. O Modelo Pontevedra priorizou pedestres, ciclistas e transporte público. Em vez de semáforos, a cidade adotou rotundas para manter o tráfego fluido mas lento, limitando a velocidade a um máximo de 30 km/h. Entre outras inovações, implementou o mapa a pé chamado Metrominuto.
Os resultados foram expressivos. O centro tornou-se mais seguro, o comércio local ganhou vitalidade e a qualidade do espaço urbano melhorou. As emissões de CO₂ diminuíram significativamente na área central e, segundo dados do município, durante anos a cidade registrou zero mortes de pedestres em acidentes de trânsito em sua área urbana, tornando-se uma referência internacional em mobilidade sustentável.
A principal inovação não foi restringir automóveis. Foi compreender que ruas são espaços públicos multifuncionais, e não apenas corredores para veículos. Ao devolver parte desse espaço às pessoas, a cidade fortaleceu o comércio, estimulou a convivência e aumentou a segurança sem recorrer a grandes investimentos em infraestrutura.
Esse é o princípio que pode inspirar outros territórios: cidades mais caminháveis não dependem apenas de novas obras. Muitas vezes, a transformação começa quando o planejamento urbano passa a priorizar as pessoas na distribuição do espaço disponível.
Fontes: Concello de Pontevedra; European Commission; ONU-Habitat. / Pesquisa e Curadoria: EduCriativa.
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