

Em muitas cidades, rios urbanos foram canalizados, cercados por avenidas ou simplesmente ignorados pelo planejamento. O resultado costuma ser o mesmo: margens degradadas, pouca convivência e uma barreira física entre bairros.
Em Santiago, no Chile, surgiu uma proposta diferente. O projeto Mapocho 42K busca transformar as margens do Rio Mapocho em um corredor contínuo de aproximadamente 42 quilômetros, conectando parques, ciclovias, áreas de lazer e bairros ao longo do curso do rio. Em vez de tratar o rio apenas como infraestrutura de drenagem, a iniciativa o reposiciona como eixo de mobilidade, convivência e integração urbana.
O projeto reúne intervenções já existentes e novas conexões, permitindo que pedestres e ciclistas percorram longos trechos da cidade por espaços públicos contínuos. Um dos exemplos é o Parque Fluvial Renato Poblete, que recuperou uma antiga área industrial e incorporou uma lagoa artificial alimentada pelas águas do próprio rio, ampliando as opções de lazer e contato com a natureza.
A principal inovação não está na criação de um novo parque, mas na conexão entre diversos espaços públicos. Quando deixam de funcionar como áreas isoladas, eles passam a formar uma infraestrutura urbana contínua, incentivando deslocamentos ativos, turismo, esporte e maior apropriação da cidade pelos moradores.
Esse é o princípio que pode inspirar outros territórios: recuperar rios urbanos não significa apenas melhorar o ambiente. Também é uma oportunidade de conectar bairros, ampliar a mobilidade não motorizada e transformar espaços antes vistos como barreiras em novos eixos de desenvolvimento.
Fontes: Governo do Chile / Arch Daily / Pesquisa e Curadoria: EduCriativa.
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